PAPO DE PASSARIM - RELEASE
Concerto de cordas e vozes
Duas vozes, dois violões, um pouco de percussão. O formato limpo e intimista é a base do
magistral encontro de Zé Renato e Renato Braz. A dupla coleciona muitas afinidades: cantores
afinadíssimos e sofisticados constroem suas carreiras por caminhos bem próprios, com
assinatura. E o novo ponto, interseção entre as duas histórias, acontece no show que virou CD,
vai ser DVD, e volta para a estrada como show. Papo de passarim, singelo assim.
Zé Renato foi referência para Renato Braz no início de uma carreira que já soma vinte anos. O
primeiro encontro no palco do capixaba Zé Renato com o paulista Renato Braz aconteceu em
duas apresentações especialíssimas no Sesc Vila Mariana. Com o sucesso do duo, Zé Renato e
Renato Braz receberam convite do Canal Brasil para um especial, que foi gravado nos últimos
dias de maio no Teatro Fecap, também em São Paulo. O nobre show chega primeiro nesse CD
ao vivo, que abre alas para o especial de TV e o lançamento em DVD.
Somando idéias o repertório foi construído a partir de papos informais entre os dois artistas.
Entram sambas do mineiro João Bosco com o carioca Aldir Blanc (Kid Cavaquinho/De frente
pro crime) e do paulistano Paulo Vanzolini (Capoeira do Arnaldo). A poesia de Paulo Cesar
Pinheiro aparece com os parceiros Wilson das Neves (Um novo amor chegou e O dia em que o
morro descer e não for carnaval) e Dori Caymmi (Rio Amazonas e Desenredo). Ares cubanos
chegam em composição de Ela O'Farrill (Adios felicidad) enquanto o nordeste brasileiro está
representado com Raymundo Evangelista e Ary Monteiro (Panelada de bochecha, com direito
a versos que celebram o papo de passarim). O cancioneiro clássico brasileiro ainda aparece na
parceria de João de Barro e Antonio Almeida (A saudade mata a gente).
Da obra de Zé Renato, recriam duas parcerias com Milton Nascimento: Ponto de encontro e
Anima, essa costurada a Sem fim, de Noveli e Cacaso. Com Xico Chaves, Zé assina o Papo de
passarim que batiza o trabalho enquanto com Cláudio Nucci e Ronaldo Bastos apresenta A hora
e a vez.
O disco não marca apenas o encontro de dois trabalhos, é efetivamente uma obra de duo.
Nesse trabalho os dois dividem vocais, direção musical e se dobram nos violões e nas
percussões. A dupla tem o acompanhamento luxuoso do baixo de Sizão Machado, pontuando
elegante o ambiente.
O senso comum aponta sempre o Brasil como um país de grandes cantoras. Mas o encontro
dessas vozes privilegiadas mostra o outro lado. Dois cantores sofisticados e elegantes em um
encontro que pode, sem o medo do exagero, ser classificado como único.
Beto Feitosa