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A Perda Irreparável

terça-feira, 6 de julho de 2010 - Arquivado em /Teatro + História

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Amigos, aqui vai uma curiosa história da minha curta e divertida passagem pelo teatro brasleiro

A Perda Irreparável

Morávamos em frente ao Teatro Copacabana Palace, no Edifício Itamar. Talvez não tenha assistido a nenhuma peça mas eu Memeca freqüentávamos a piscina do hotel graças as relações amigáveis do nosso pai com seu patrão Oscar Ornstein, responsável pelas produções teatrais e shows do Golden Room. Nessa época, início dos anos 60, os móveis do quarto em que se hospedara Orson Welles  já tinham boiado na piscina lançados pelo próprio e o Golden Room realizado shows marcantes como o de Marlene Dietrich. Minhas entradas e saídas do hotel resumiam-se, além de eventuais braçadas pela piscina, cortar o cabelo na barbearia e tímidas aparições no baile do carnaval infantil.

Um belo dia meu pai chegou em casa com a novidade : estavam escolhendo o elenco para a montagem de “A Perda Irreparável” , peça escrita por Wanda Fabian com direção de Ziembinsky e precisando urgente de uma criança para um pequeno papel. Sinceramente até hoje não sei o que lhe ocorreu para que me sugerisse para a empreitada . Logo eu, tímido ao extremo, campeão da desanimação dos bailes de carnaval, escalado para o elenco de uma peça de adultos. E aí? Sai dessa José ! Tremi na base. Meus futuros companheiros de palco eram Madame Morineau, Iracema de Alencar, Miguel Carrano, José Augusto Branco, Souza Lima, Suzana de Moraes, Marina Branco, cenários e figurinos de Bellá Paes Leme e a assistência de direção de Carlos Kroeber.que também se revezava com Ziembinsky no personagem ‘Frei Paulo”. Um nome artístico foi escolhido e assim da noite pro dia virei Renatinho Montalverne, pescado do pseudônimo jornalístico do meu pai Simão, Moschkovich de nascença,  mas também Simão“O Cirineu para Aracy de Almeida, Montalverne para os colegas de trabalho e Simão “da Lalá” , referência à Marlene, minha mãe,  como ele mais gostava de ser chamado.

A comédia, ambientada numa vila carioca, contava a história de uma jovem que prestes a se casar perde a virgindade causando um tremendo alvoroço, virando o assunto predileto da vizinhança. Meu personagem tinha pouco mais do que três frases, o suficiente para que eu experimentasse pela primeira vez a sensação de ser aplaudido por uma  platéia como de praxe nos agradecimentos finais. Era disparado o meu momento preferido. No camarim, enquanto aguardava a hora de entrar em cena, consumia invariavelmente fartas porções de cassata napolitana sem dó nem piedade e certamente devo ter entrado no palco algumas vezes com a boca lambuzada de sorvete. Porém o que era doce se acabou. O juizado de menores proibiu  que eu ficasse até o final da peça, limitando minha participação apenas aos pequenos trechos relativos ao texto.  Fiquei bastante contrariado. Justamente me tirar a melhor parte : os agradecimentos? Obedeci, mas ficou tudo bem menos divertido.  Até que uma forte gripe me afastou do teatro e meus pais resolveram que aquele ritmo de vida não combinava mesmo com o cotidiano de um menor de idade. A vida voltou ao normal. Deu pra sentir também que o meu negócio poderia ter até alguma coisa a ver com as artes. Menos as cênicas.

2010-07-06  »  zerenato

Respostas x 11

  1. Renata Santos
    6 julho 2010 @ 14:39

    Que gracinha!
    Nós tímidos sofreeeeeeeemos, mas nos rendemos.
    Uma pequena experiência que marcou a vida. Essas história de criança são as melhores!
    Obrigada por dividir isso com a gente, Renatinho. rs

  2. Teresa Cristina
    6 julho 2010 @ 15:24

    Que show! Tão menino… passar pelas mãos de Ziembinsky, e ter tido como companheiros de palco atores tão ilustres como Henriette Morineau, foi mesmo um belo momento! Qto a sensação prazerosa dos aplausos só foi mesmo adiada… os “Deuses” já te reservavam momentos de real prazer e reconhecimento por tudo que vc representa hj na nossa música! Músicos como vc são importantes para o mundo! Grande beijo!

  3. Telma
    6 julho 2010 @ 18:32

    Que história gostosa!!! Boas e exitantes experiências para um jovenzinho…rsrs. Legal!

  4. Maria Clara
    6 julho 2010 @ 20:02

    Que boa história Zé! Tanta gente importante para o teatro e o próprio ambiente do Copa… Acredito que todas as experiências que a gente vive, servem para algo… neste caso deve ter servido pra você experimentar os aplausos, e gostar!!! Muito legal! beijos

  5. Maria Clara
    6 julho 2010 @ 20:38

    Quantos anos você tinha? Deve ter sido bem divertido, não?

  6. Ana Costa
    6 julho 2010 @ 21:28

    Você nasceu artista, vai ver com direção de Ziembinsky, você desenrolava isso bem, quem sabe só não ficou porque não fizeram um teste com sua voz. Sempre é bom saber mais de nossos ídolos!

  7. Etel Frota
    7 julho 2010 @ 0:15

    Zérrenatinho Montalverne, irmão de Eurídice, filho de Simão e Lalá – que história, heim?!?!?! Adorei saber!
    Beijo

  8. Beto Moschkovich
    7 julho 2010 @ 11:39

    Parabéns! Além da voz masculina mais linda da MPB, em excelente texto. Viajante!

  9. zerenato
    7 julho 2010 @ 12:19

    obrigado Beto, abraços

  10. zerenato
    7 julho 2010 @ 12:24

    obrigado Etel, bjs

  11. Olivia
    7 julho 2010 @ 19:54

    Talento você tem de sobra, agora também revelado na escrita. Estou adorando seus textos, leves e bem escritos. Vida que segue, como diria o saudoso João Saldanha. Sorte e muito axé da Bahia para você.

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Re: A Perda Irreparável







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